quarta-feira, 29 de junho de 2016

Bloqueio

Ela decidiu: iria bloquear ele nas redes sociais.
Cansou de sempre deletar e readicionar.
Não por culpa dele.
Muito menos por culpa dela.

Há sete meses ambos decidiram entrar numa brincadeira.
Brincadeira de “pegar sem se apegar”.
Balela: um dos lados acaba sempre se apegando.
E a brincadeira torna-se séria.

Não foi culpa dele por ele ter outra.
Não foi culpa dela, tampouco, por ser solteira.
Foi culpa de ambos insistir numa traição.
Foi culpa de ambos dar corda e alimento a sentimentos perigosos.

O bloqueio é um basta apenas.
Um basta às milhares de vezes que ele fez pouco caso dos sentimentos dela,
Encarando eles como paranoia, como chatice,
Como “forçar a barra”, como drama, como baixo auto-estima.

Um basta pelas zilhões de vezes que ela cobrou dele,
Sendo injusta, pedindo a alguém compromissado
O que ele nunca poderia dar: atenção,
Afeto, presença, parceria. Amor.

Ela passou a amá-lo tanto,
Que o melhor foi deletá-lo.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Ridículo

De repente o celular dela notificou:
Mensagem dele!
Estremeceu, junto com um descompasso no peito.
Coisa que sempre ocorre quando recebe mensagem dele,
Depois de dias e dias de falta de comunicação:

"Quando a gente não sabe o que dizer,
O melhor é ficar quieto. 
Não se sinta ignorado."

Para ela, que já o conhecia tão bem,
Estava ali a mais sincera declaração,
O mais sincero dos dizeres.
A mensagem que a traria, enfim, tranquilidade.


sábado, 25 de junho de 2016

Unha

Ele lembra daquela madrugada.
Ele dormindo e o outro sem sono,
Sentado na tampa fechada da privada,
Cortando unha: tec, tec, tec.

Lembra que foi acordado.
E ficou puto por isso.
Acordado na madrugada pelo tec tec do cortador de unha,
Vindo da luz acesa do banheiro.

Levantou, foi até o outro e reclamou.
E o outro, sempre da paz, nada falou:
Apenas parou de cortar as unhas,
Dando atenção ao xilique do primeiro.

O outro se foi.
E o primeiro daria tudo para tê-lo o incomodando
Todas madrugadas.
Mesmo com um simples cortador de unha.
Ele daria tudo.


quinta-feira, 5 de maio de 2016

Plenitude



O seu amor,
Ame-o e deixe-o livre para amar,
Ame-o e deixe-o ir aonde quiser.

Ame-o e deixe-o brincar,
Ame-o e deixe-o correr,
Ame-o e deixe-o cansar,
Ame-o e deixe-o dormir em paz.

O seu amor,
Ame-o e deixe-o ser o que ele é:
Ser o que ele é!

(Gilberto Gil)

domingo, 20 de setembro de 2015

Maratona

Mais uma Maratona Pão de Açúcar de Revezamento.
É hora de buscar superar resultados,
Superar limites no domingo
E fazer melhor que ano passado.

Chegando a véspera da corrida,
Dia de passar cedo na casa da mãe,
Que não estava. Comeu, cochilou no sofá.
Não esperou a mãe e foi para a sua casa.

Deixou tudo organizado,
Colocou roupa da semana na máquina
E um filme para relaxar:
Seu vício.

Uniforme de corrida pronto e estendido no sofá,
Alimentação leve e cama para acordar cedo.
Últimos recados para os amigos,
Última mensagem trocada com o amigo de quarto.

Deitado, fone de ouvido no notebook,
Pegou no sono. Tranquilo.
Ali mesmo deixou este plano terreno,
Com um infarto fulminante.

A roupa ficou rodando a noite toda na máquina,
O filme rodando no notebook,
A luz acesa
E o telefone a tocar durante o dia seguinte inteiro.

Maratona sem ser corrida.
Equipe de revezamento desclassificada,
Ligações sem respostas.
Só as últimas mensagens da noite anterior.


domingo, 14 de junho de 2015

Orientação

Sua tentativa foi em vão.
A bala entrou, mas desviou-se, no osso,
Da parte vital na cabeça.

Socorrido, o médico que o atendeu estava estressado.
Achava injusto interromper outra emergência,
Para atender a esse, que falhou no suicídio.
Em um estado que beira o coma e a consciência,
O paciente acompanhava em silêncio tudo o que se passava.
"Cara burro, nem se matar sabe.
Se quer atirar, que atire dentro da boca."

Ao se recuperar, voltar para casa,
O paciente ficou com aquelas palavras na cabeça.
Na primeira oportunidade,
Pegou a arma, atirou dentro da boca.
Dessa vez eficaz, como indicara o médico.


quarta-feira, 20 de maio de 2015

Oito meses

Pessoas queridas que deixam de caminhar do seu lado, para caminhar em outros caminhos são como flores num vaso d'água. Você troca a água periodicamente, você corta os talos para conservar mais, mas na hora certa elas morrerão. Quer você queria ou não. Quer você tenha aproveitado a beleza e simplicidade dela em sua vida ou não. E a você, cabe pegar o corpinho dela e devolver à sua origem: à natureza.

Cuide de suas flores, aproveite a beleza que elas trazem hoje. Não exija que elas vivam pra sempre: aproveite o que elas te dão hoje.

Saudades, amigo Ademir Ramos! Há oito meses você pegou caminhos diferentes e não tem um único dia em meus dias sem que eu me lembre de você! Sua vida me ensinou e é o que me faz forte, diante da saudade que acho que nunca deixarei de sentir!

Paz...amor...

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Sete meses


Perder alguém é levar um tapa na cara.
Um tapa de "acorda para a vida".
Um chacoalhão do tipo "chegou a hora de mudar sua forma de ver as coisas".
Perder alguém é ganhar uma saudade eterna, que jamais deixará de andar com você.
Perder alguém é um convite para exercitar seu amor. Verificar o quanto ele é forte e o quanto você pode espalhá-lo em favor do outro.

Ninguém perde ninguém. Apenas encerra uma etapa há muito determinada.
Ninguém perde ninguém - apenas despede-se, como quem diz "vai indo, que uma hora eu te alcanço lá!"

Nessa vida, ninguém pertence a ninguém. Mais do que se martirizar sobre o motivo de ter colocado essa pessoa em nossa vida e, depois, tirado, deveríamos exercitar mais a serenidade, a aceitação, a doação, a caridade.

Quem disse que é fácil? Mas é necessário.
A ligação com quem se foi nunca se perde, pois as coisas sinceras. Cada um sabe o quão importante foi para quem se foi.

Na vida, não há castigo, culpa. Há o livre arbítrio. Deus dá a ditetriz, mas nós temos toda a liberdade para fazer do nosso jeito - e o fazemos. Na hora de sofrer as consequências, recorremos a esse Deus, que não tem a menor culpa.

Sejamos a diferença no mundo.
Sejamos a luz.
Perfeito ninguém é, mas uma vez que sabemos a verdade, não há razão para retornar à mentira.

Quanto mais lhe for dado, mais lhe será cobrado! Seja amor, mas amor verdadeiro. Se estiver um pouco difícil de amar verdadeiramente, não odeie, apenas fique na sua. Já será uma grande atitude!
Na vida, não se perde ninguém, apenas ganhamos em um plano elevado, mais um ser querido a nos olhar. Até que chegue nosso dia passemos a ser nós esse guia. É um ciclo. Cada um na sua vez.

sexta-feira, 20 de março de 2015

Seis meses

Ademir, já são seis meses desde que você saiu de casa. 
Já fazem seis meses desde aquela corrida para a qual você estava ansioso para competir, mas nem chegaria a fazer (foi por muito pouco). 

São seis meses desde que tudo aconteceu e eu não esqueço nada. Tudo é presente ainda. Tudo. 

Espero de verdade que seu caminho aí esteja sendo positivo. Espero que esteja bem guiado, espero que esteja tranquilo. Mais do que lamentar sua não presença em casa, eu fico feliz por ter tido a chance de conhecer você e viver coisas legais com você. 

Esses dias lembrei de ligar na tua faculdade e finalmente o diploma mais enrolado do universo saiu. Uma pena que só você poderia retirar. Paciência. 

Seu mérito já fora certificado muito antes! Esteja na paz e na luz. É tudo o que eu mais quero!

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Cinco meses

E lá se vão 5 meses desde que você retornou para a grande casa do Pai e dos irmãos eternos. Hoje foi dia de fazer uma visita a seu jardim, aquela que faço todo mês. Hoje foi dia de cortar a grama, plantar novas cores e estreitar cada vez mais a distância entre nossos corações. Deus é infinitamente bom, Ademir. Incondicionalmente amor. O tempo é milagroso. Se ontem cheguei a culpar pessoas e atitudes delas como causa de sua partida, hoje eu chego até a me envergonhar de tais pensamentos. O tempo tem me trazido boas pessoas, que vêm acompanhadas de bons ensinamentos. As lembranças são presentes e constantes em minha vida. De forma natural e absurda. Sou capaz de ouvir sua voz me perguntando lá da cozinha se o ponto do macarrão estava bom e lá ia eu dar uma aula de como deixar ele ao dente hahaha. Não tem jeito. Tudo lembra você. Até mesmo detalhes toscos e que jamais eu iria parar para refletir sobre, se você não tivesse partido. Tipo o lance de desligar o chuveiro a cada ensaboada ou xampú. Ou o hábito de sempre, sempre checar tomadas ligadas desnecessariamente ao dormir. Saudades das suas chaves que emperravam na porta quando você chegava, pois a minha estava na parte de dentro, mal posicionada e você batia tranquilo na porta e eu tinha de levantar e abrir. Quando comigo, eu não tinha a mesma calma. Hoje, aprendi com você. Me pego fazendo coisas que eu "odiava" que você fizesse e nessas horas eu rio alto. Ou choro lá dentro de mim. As flores são para você. As melhores energias e vibrações também. As lembranças, os suspiros. A minha música. O melhor do meu dia. As minhas intenções e desabafos. Tudo é para você. Aonde estiver, espero que esteja feliz e encontre o seu caminho!
Amém, assim seja!


terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Quatro meses

Amigo Ademir! Agora são quatro meses de sua partida. Dia de ir dar um up lá no seu túmulo. Dessa vez fui com alguém especial pra você. Eterno amigo e irmão Ademir, sua presença segue no coração cada vez mais forte. Saudades sim, sofrimento não. Saudades do seu espirro exageradíssimo que sempre me dava susto e me deixava com raiva. Saudade de você cantando desafinado pra cacete. Você cantando no chuveiro e de madrugada e eu sempre falava que iria incomodar a vizinha. Você ouvindo celular no banheiro e fazendo voz de falsete para quase todas as notas que você nunca alcançava. Coisas que nem eu teria coragem de fazer no seu lugar hehehe. Falta sua gargalhada rara, mas que quando vinha era tão gostosa, que por mais que fosse sobre algo sem graça, eu ria junto. Sinto falta de seu silêncio rotineiro. Aquele olhar no horizonte com canto do olho enrugado...olhar e pensamentos. Profundos. Que só você sabia do que se tratava. Quão brega era sua calça jeans com a barra dobrada e você não gostava dessa observação que eu sempre fazia antes de você ir pros rolês. Ou quando você deixava a janela do quarto aberta pra dormir e eu reclamava que era para fechar sempre. Ou quando você achava que tinha perdido a chave de casa, mas na verdade você havia deixado ela pra fora a noite toda. Saudades das suas curtidas nos meus posts de clientes. Você nunca foi de usar o Face, mas como eram pros clientes que eu atendia, você entrava e curtia tudo. Lembro ainda mais de você nessa época de Oscar, pois com certeza estaríamos gastando bom tempo vendo os filmes indicados e discordando em quase tudo. Você sempre foi cinéfilo e está pra nascer alguém que sabia tanto sobre cinema quanto você sabia. Nossa...são muitas as lembranças. Lembro de você todos os dias. Sim, todo dia. E isso é bom. Fique bem onde está, Ademir. Tudo o que você deixou e tudo o que foi em minha vida jamais será esquecido. Jamais. Desejo amor a você, luz, paciência, fé e mais amor! Amém!

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Três meses (Feliz Aniversário)

Lá se vão três meses de sua ida! Hoje seria seu aniversário de 28 anos e com certeza eu iria te dar aquele seu perfume que já teria acabado ou um tênis, que com certeza estaria precisando! Encomendaria o caro frango xadrez que uma vez você me apresentou, com arroz e suco de soja ("É mais saudável!").
Amigo Ademir. A palavra saudades virou clichê na minha vida e na vida daqueles que sentem sua partida. Mas, mais forte do que isso, é o desejo do fundo da minha alma que você encontre seu caminho de luz e paz. Aqui, no meu coração, os mais profundos e sinceros sentimentos de gratidão, esperança, amor. Fique na paz e, assim, estarei, também, na paz! Vida que segue, amor que não se esquece! Feliz aniversário!

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Dois meses

Amigo. Há dois meses você deixou esse mundo louco. Posso dizer que sua partida tem sido a pior experiência que já tive na minha vida e que acho que nunca terei igual. Não choro. Não sinto tristeza ou qualquer sentimento que não valha a pena. A saudade é absurdamente presente! Uma saudade profunda, daquelas que fazem doer, que fazem rir, suspirar, fazem dizer seu nome feito louco varrido que fala sozinho "Ah, Ademir...".
Fico feliz de, toda vez que penso em você (considere isso todo o santo dia e, pelo menos em mais da metade de cada dia), eu não ter aquela coisa chata de "ah, se o tempo voltasse atrás e blábláblá". Não. Não há nada que eu me arrependa de não ter feito em vida a vida a você, com você, por você. Sei que o que fiz(emos) foi o que tinha de ter sido feito. Siga daí, que sigo daqui. É o que nos resta! Amor, paz, gratidão, saudade, amor. Amém.

domingo, 2 de novembro de 2014

Tosca

Ele ganhou uma pulseira de aniversário.
"Achei linda. A sua cara!"
Disse quem deu o presente.

O aniversariante olhou para ela, olhou para quem a deu.
"Eu não uso esse tipo de pulseira.
Não faz meu estilo.
O que te faz pensar que combina comigo?"

A pulseira foi direto para a gaveta.
E ali ficou esquecida e não usada.
Até que quem a deu se foi. Partiu para sempre.
Inesperadamente morreu.

Revirando os pertences do amigo que partiu,
A pulseira apareceu de novo.
Ele olhou a pulseira, olhou para a cama onde quem a deu estaria, se estivesse vivo.

Ele usou a pulseira que antes achara tosca,
A pulseira que ganhara de aniversário,
A pulseira que se tornou uma lembrança pura,
A pulseira que do braço já não sai mais.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Um mês

Já se passou um mês e já não há mais dor, não há mais angústia, não há mais erros, não há temor. Tudo é luz, tudo é compreensão, amor, amor, amor, gratidão, aprendizado. É tudo o que fica no fim das contas. Muita lembrança, muita SAUDADE. Em tudo, em todos, em todo o lugar. Mas isso não é ruim: é esperado e necessário. Amigo Ademir, você jamais será uma alma esquecida. Seu coração e alma seguirão sendo meus guias e meus aprendizados onde quer que eu vá. Você é excepcional e sorte daqueles que souberam ter você como amigo! É muito pesado ter de seguir adiante quando alguém amado se vai. Uma dor que eu nunca tive. Mas nessas horas me agarro a tudo de bom que você é e tenho energias para seguir adiante. Um mês de sua partida e você segue sendo muito presente na minha. Em meus pensamentos, meu agir, em tudo. Fique na paz, meu amigo. Aceite a paz. Esteja bem e, assim, estarei bem também. Estaremos!

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Dor

Saudades, Ademir Ramos de Figueiredo.
Na última segunda-feira eu passei pela maior tristeza que já tive, maior pesadelo, maior choque, maior tragédia, maior pesar....palavras me faltam para descrever o que venho sentindo desde então!
Encontrei meu amigo Ademir morto em sua cama, vítima de um infarto fulminante. Há tempos dividíamos a mesma casa, nos ajudávamos em nossas dívidas e nos pesos da vida. Ele se foi enquanto dormia e como um sopro suave, sua vida se foi, ali, sem o menor movimento, sofrimento ou dor. Eram 27 anos de uma alma incompreendida por muitos ao seu redor. Valorizou as verdadeiras amizades, que valeram a pena viver, mas infelizmente guardava muitos sentimentos que eram negativos e que o marcaram negativamente na vida. Ele é o cara mais puro, simples, pacifista que conheci e que jamais conhecerei. Um ser de valor imensurável e que muitos que não souberam valorizar e o aceitar, e que agora terão com certeza seu remorso, por tal injustiça! Para mim, que o conheci tão de perto e tão bem, sua causa de morte foi a própria vida. A não aceitação por suas escolhas. Um ser único, que queria apenas achar seu caminho. Agora tenho total certeza que ele o achará onde estiver, pois o mundo não o merecia. Muito aprendo com sua morte, muito aprendo com sua vida, muito aprendo com a pessoa que é. Sim, falo no presente, pois ele ficará dentro de mim assim, presente sempre! Foi dura a cena de encontrá-lo como tal, mas no momento, dia após dia, encontro forças para elevar meus melhores sentimentos para sua alma, para que encontre paz, paz, paz. PALAVRAS ME FALTAM. Só sei sentir. Choro. Pois ele está presente em minha vida de muitas formas e será difícil não falar e não lembrar dele em casa segundo de meus dias.

SE EU TENHO UM DIREITO A PEDIDO A CADA UM DE VOCÊS, MEUS AMIGOS E CONHECIDOS DO FACEBOOK: ENVIEM SUAS MELHORES ENERGIAS, ORAÇÕES, REZAS, INTENÇÕES, LEMBRANÇAS, SENTIMENTOS, AMOR, TUDO O QUE TIVER DE BOM, ENVIEM EM MENTE E CORAÇÃO A ADEMIR RAMOS DE FIGUEIREDO. EU AGRADECEREI IMENSAMENTE.

Por fim, agradeço eternamente aos muitos amigos que aqui me ajudaram desde o momento que os contatei com lágrimas desesperadas no coração. Não vou citar nomes, pois têm sido muitos. Mas cada um sabe do que estou falando e de quem estou falando! OBRIGADO. Meu coração fica mais consolado nessas horas.

Aqui, deixo uma foto do Edson Degaki, no primeiro concerto que o Ademir viu meu, com sua irmã MUITO MUITO MUITO amada Kawany, a quem ele devotou muito amor em vida e eu tenho meu carinho especial e espero que ela esteja com pessoas boas agora, já que está sem nosso Ademir....

sábado, 21 de junho de 2014

Mensageiro

O dia é de festa no interior.
A época é de festa.
Daquelas noites feitas para extrapolar,
Sem precisar pensar no horário de amanhã.

Uma notícia inesperada chega.
É de morte de uma autoridade daquela cidade.
A notícia chega rápido demais,
Tanto que nem a família do prefeito sabe dela.

O homem morreu fora da cidade,
Um funcionário seu se incumbiu de ser o comunicador,
Para falar à família sobre o assassinato.
E ajudar no que for preciso.

O rapaz pegou sua moto,
Bêbado como estava, perdeu o controle na rodovia.
Morreu no meio do caminho.
Sem cumprir com sua missão.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Desnecessário

Para ser o confidente que ouve suas histórias,
Aquelas que ninguém vê graça, o gay serve!
Para ser o carinha legal que a mãe confia
E com quem o pai a deixa sair, ela chama o gay!
Para ser o conselheiro,  o ouvido e o ombro,
O gay é perfeito!
Mas quando o gay precisa de espaço em uma sociedade a qual pertence,
Criam-se regras, normas, "não-me-toques".
Quando o gay é o filho da vizinha,
Tudo bem: que ele seja feliz.
Quando o gay está dentro de casa,
É como se ele nunca mais fosse existir.
Em cena representando seu amor e carinho numa novela,
Ele passa a se feio, apelativo, desnecessário.
A aceitação ainda tem um longo caminho pela frente.
Ultrapassar hipocrisias veladas, conceitos arcaicos.
Aceitar não é obrigatório,
Respeitar é vital e humano.
O preconceito é nojento,
Julga, apedreja, fere, mata.

domingo, 5 de janeiro de 2014

Falta

Ele deu uma rosa a ela,
Pois a data era especial para ele.
Ela pediu que ele guardasse a flor na mochila,
Pois não tinha onde deixá-la durante o passeio.

Fim do dia,
Ambos retornam para suas casas.
A rosa, que era para ela,
Ficou na mochila dele.

Ela nem sentiu falta da rosa,
Nem mesmo quando ele a lembrou.
Assim, ele não teve outra opção:
Manteve a flor consigo.

A rosa, que era para ela, secou.
O corpo da rosa ficou feio, ele o arrancou.
A cabeça da rosa perdeu a cor.
Ele, por fim, a jogou fora.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Desatenção

Sonhavam em ter filhos.
Vieram dois de uma vez.
Felicidade dupla.
Menino, em dobro!

Se uma criança, com toda sua energia,
Dá muito trabalho e requer atenção,
Imagine duas? E dois meninos?
Atenção em dobro!

Mais de dois anos se passaram,
A dupla de príncipes crescia.
Um mundo de curiosidades à frente!
Ninguém poderia segurá-los.

Um momento de relapso dos pais?
Um momento de malcriação dos meninos?
Uma piscina.
Uma perda dupla, cruel e fatal.