quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Caixa de correio

“A gente não deve permitir que as cartas se tornem obsoletas, mesmo que, talvez, já tenham se tornado.”



A frase é de Caio Fernando Abreu, ou Caio F., como gostava de assinar. Além de ter o jornalismo como profissão (fez parte da primeira equipe da revista Veja, em 1969), Caio teve na literatura uma paixão de vida. Além disso, adorava escrever cartas aos seus queridos. Bilhetes, memorandos, páginas e páginas quase sempre datilografadas.
Após sua morte, em fevereiro de 1996 (nasceu em 1948), uma grande amiga sua, Paula Dip (também colega de profissão), reuniu cartas e memórias deixadas por Caio F. e as transformou em um belo livro.



O meu exemplar de "Para sempre teu, Caio F.", ganhei da amiga Clélia Riquino, com quem adquiri o hábito de trocar diversos e-mails, que tinham o mesmo efeito de cartas pelo correio. A cada mensagem, um registro a cerca de alguma obra sabida/lida/conferida/indicada, ou sobre o clima/tempo em casa, sobre algum fato, ou, ainda e simplesmente, sobre como estava o dia de cada um. Assim foi que Clélia me deu esse presentão, sobretudo, para mim, que gosto do envio de cartas pelo correio. O livro é, mesmo, interessante. De carta em carta (enviada por Caio e também recebida de seus amigos, admiradores, próximos e etc) vai se conhecendo muito dele, e também da época em que ele vivia, dos amores, dos cheiros, sentimentos e climas encontrados nas cidades. Nesta hora, é como se o leitor recebesse as cartas trocadas em sua caixa de correio e se intera de uma época que pode até ter vivido, mas não sob tal visão/ponto de vista.

Hoje em dia, quem envia cartas a amigos pelo correio é tido como "cult", "retrô", ou antigo, atrasado, anti-tecnologia...

Quando foi a última vez que você endereçou a alguém uma carta pelo correio??

13 comentários:

Ives Nelson disse...

Não sou muito "chegado" no Caio, porque todas as vezes que o leio, acabo deprimido, então considero-o uma literatura que me faz mal. hehe

Mandar cartas é tão bom, e receber uma é melhor ainda! faz muito tempo que não mando uma carta, ou sequer recebo uma... sinto falta da sensação de ficar olhando pro envelope e ficar pensando no que poderá estar escrito dentro dela, assim como também sinto falta de escrever algo para alguém, e ver refletir na caligrafia o meu sentimento... que saudades disso! Sinto muita falta das cartas!

PS.: Você sim pode saber do que se trata a ressaca! O próximo post irá descrever o fato que desencadeou a isso!

Abração amigão! Fica bem!

eLi disse...

Ives! Sempre achei isso quando lia Caio, mas mesmo assim seguia adiante.
Agora os textos dele ganham mais significado, pois neste livro que citei, é possível visualizar todo um contexto a cerca da obra dele.

Cartas são muito boas. Ainda mando as minhas e surpreendo certos amigos que sempre acreditaram que o e-mail é o era o meio mais eficiente. Quando recebem uma carta (inesperada) minha, percebem o significado dela. Percebem o efeito que causa ao tê-la em mãos.

Sim, sim, sei do que se trata o texto lá na tua PP! Espero, mesmo, o desenrolar da história!

Abração e ótimo fim de semana!

Clélia Riquino disse...

Caro eLi,

Que bom que gostou do livro... Eu, como o Caio, você e o Ives, aí em cima, também adoro cartas, bilhetes, cartões. Já escrevi e recebi muitos, e tenho, como vocês, saudade do envelope nas mãos, de tentar reconhecer a letra de quem enviou, imaginar o conteúdo, abri-lo, ler e responder o que está escrito, à mão! Arnaldo e eu namoramos através delas, por vários anos. Cartas, hoje em dia, só as comerciais (contas, faturas, boletos bancários), nada amistosas e cujas respostas envolvem pagamento$! Vez ou outra, um cartão postal de um(a) amigo(a) viajante, um convite, fotos e cartões de familiares distantes. Hoje, os e-mails e clippings tomam conta da minha caixa postal virtual. São muitos, diariamente. Curto-os, também! É outra linguagem, outra velocidade, facilidade maior (sem idas e vindas ao correio), sem gastos com selos... (ah, os selos comemorativos, de coleções – filatélicos – gostava de usá-los). Escrever, pra mim, sempre foi mais fácil que falar/conversar. É assim, até hoje. A melhor e mais natural maneira de me comunicar. Mas exige um computador e uma conexão. A tela, em branco, é o papel de carta e a Internet, o correio. Tempos modernos/tecnológicos...

beijão,
saudade,
Clé

ET: E a viagem, quando você embarca?

Vanessa disse...

A Clélia está certa, hoje em dia só contas a pagar, malas diretas etc.

Confesso que recebi cartas, não faz tanto tempo - cartas de amor. Mas não soube respondê-las. E depois que aprendi a respondê-las perdi a coragem de enviá-las, pois não fazia mais sentido. O lado bom (sim, existe!) é que tudo isso, de alguma forma, impulsionou a criação do meu blog.

Beijo, Eli!

eLi disse...

É mesmo Clélia! A questão está em não classificar como ruim ou boa a chegada da internet nas correspondências entre pessoas - trata-se de uma versão, adaptação e adequação! Cada um a seu modo, serve, sim, de elo de comunicação entre pessoas. Por isso a carta de correio tende a ser romantizada a cada tempo...assim como a prática de ouvir LPs em vitrolas!

Interessante saber disso, Vanessa! O blog é mesmo um lugar ótimo para destinar cartas não enviadas! Elas acabam falando algo a terceiros!

Beijos, meninas!

Ives Nelson disse...

Rapaz... Eli, quando decides sumir, tu realmente ficas impossível de encontrar. Impressionante! Abração de saudades amigo!

Jairo Souza disse...

Se acredita q nunca o fiz! nunca fui estimulado a isso, só fui conseguir fazer amizades qnd me estabilizei aqui em Macaé, mas ai a tecnologia jah tinha dominado e o q valia mesmo eram os depoimentos! rsrs!!! Quem escreve mt do Caio F. é a LIH do Shut up and smile!

eLi disse...

Ives, meu amigão!
Tenho sumido mesmo! Mas não fugido, ok?!?!?!

Jairo! Eis um efeito crescente a cada virada de tempos...tecnologia que sobrepõe o passado.
Não que ter tido a possibilidade de escrever cartas e mandá-las pelo correio, ou ainda ter utilizado discos de vinil ou escrito em máquinas de datilografia sejam experiências FUNDAMENTAIS na vida. Mas são importantes e não deveriam se perder...
Enfim! É totalmente compreensível a adequação à tecnologia: ela é mais eficaz no quesito tempo! Darei um pulo sim na página da Lih!

Abração, sempre, senhores!

nora disse...

OI ,Eli. Td bem? Faz um certo tempo realmente que não recebo cartas (e não contas) pelo correio. De vez em qdo chega um presente pelo correio para minha filha. Este ano recebi três livros lindissimos de poetas, o que me alegrou muito.
Para mim, o email nào substitui nem de longe a letra no papel, a intimidade de uma carta.
Taí, preciso retornar este costume.
bjs

eLi disse...

Hey,Nora!
Sempre bom te ver por estes lados!
Receber livros pelo correio deve ser mesmo bom demais!
É vero! Receber aquele envelope, olhar a letra, o selo...tudo o que envolve a carta! Tentar advinhar em que clima, sentimento e/ou tempo ela foi escrita...
Sensações boas de se ter!

Nanuni Kokoritu disse...

Agora é tudo meio frio, ou via SMS ou via email.

eLi disse...

Frio mesmo, Nanuni, mas, ainda assim, necessário também!

Abração!

Fernando Ramos disse...

Sou suspeito, Eli, meu querido, pois adoro enviar cartas. E feitas à mão, que tem mais energia.

Adorava presentear minhas namoradas com cartas enviadas pelo correio. Inclusive, tenho um microconto acerca disso. Caso lhe apeteça, leia:

http://twitter.com/ColunaFantasma/status/4545914478

Abraços!