domingo, 27 de dezembro de 2009

Não te contaram?



Foi uma maravilha a experiência que ele vivenciou em seus quase nove meses de contrato.
O trabalho em navios de cruzeiros marítimos rendeu muita coisa.
Conheceu lugares nunca antes vistos, poupou dinheiro em moeda estrangeira,
Mas também trabalhou muito. Muito mesmo!

Terminou seu contrato,
Obteve promoção,
Para o caso de querer retornar após as férias,
Volta, então, a seu país e à sua casa.
A saudade já estava no limite.

Mas este mar de boas coisas vividas não foi nada,
Perto da avalanche de coisas não vividas,
Enquanto ele esteve fora da terra.

Enquanto trabalhava em alto mar,
Seu avô havia falecido,
Sua avó passara por amputação das pernas, por causa da diabetes,
Um trauma.
A cachorrinha tão querida fugira e não havia sido encontrada.
E a namorada já havia colocado outro em seu lugar.

O fato é que a família decidiu nada contar ao rapaz,
Que soube de tudo, de uma única vez, assim que desembarcou.
Acharam que seria melhor.
Será que foi mesmo?

A família deveria ter contado tudo enquanto ele estava a bordo?
Fez certo em esperar seu retorno?
Isto nem ele sabe responder.
Em se tratando de notícia ruim,
Para ele, tanto faz se vem a cavalo,
Ou a remadas lentas de navio...

Foto: Masterfile

12 comentários:

Vanessa Dantas disse...

Acho que não deveriam contar. Ele estava longe, de nada adiantaria. Sofreria sem qualquer suporte da família, dos amigos, enfim... É só minha opinião.

Feliz 2010 para você também. E continue. Esse blog anda muito parado.

Beijão.

eLi disse...

Pois é, Vanessa! E é esta a opinião da maioria dos amigos dele! A de que de nada adiantaria ficar sabendo lá, a bordo. Seria até pior, pela incapacidade de poder agir e o que você disse: ficaria sem suporte.

Beijão, amiga! Na verdade são muitos os motivos para a minha lentidão...mas são bons motivos. A maioria têm a ver com o meu outro blog, que você pode dar uma passada, quando quiser!

Beijos, beijos!
E que tenhamos nossos blogs firmes e fortes em 2010!

Nanuni Kokoritu disse...

Concordo em gênero número e grau com a Vanessa.

eLi disse...

Pois é. Parece ser, mesmo, a melhor atitude a ser tomada!
Abração e thanks 4the visit!

Kagê disse...

Se fosse comigo, prefereria ter sabido uma coisa de cada vez pra dar tempo de vivenciar o luto/dor em relação a cada ente querido. A presença física seria o de menos..
Beijos e um exvcelçente 2010!

eLi disse...

É Kátia!
Saber de sopetão sobre tudo de ruim que aconteceu, quando se esteve fora por um longo período não é fácil!

Beijão!
Bom 2010 também!!!

Érico Cordeiro disse...

Caro eLi,
Vi seu comentário no blog da Andréa e vim aqui fazer-lhe uma visita - chamou a atenção o título, uma das mais belas canções do Ivan, imortalizado pela Pimentinha.
Falando nela, maravilhosa a foto com o Caio Fernando Abreu - não sabia que eles tinham sido amigos desde Porto Alegre!!!
Muito bacana seu blog e virei sempre aqui (virei depois com mais calma, para ler as postagens mais antigas).
Grande abraço e se tiver um tempinho, dê uma passada no jazz + bossa, blog que criei para compartilhar a paixão pela música (que, percebo, você também possui).
Feliz 2010!

PS.: Comigo aconteceu algo parecido. Em 1991 fui passar férias no Rio e a cadela da nossa casa (já tava com uns 14 anos) morreu. Ninguém me contou nada e quando cheguei tomei aquele susto - passei uns três dias triste, mas acho que foi melhor não ter sabido antes.

eLi disse...

Que surpresa, Érico!
Obrigado pela visita, viu?!
Passarei, também com calma, para conferir suas palavras!
Volte sempre que puder/quiser!
Elis, música, contos...minhas paixões sim, com certeza!

Abração e obrigado mais uma vez!

Bartirah disse...

É complicado... Algumas pessoas tentam proteger as outras do sofrimento... Mas coisas ruins acontecem e nós vamos sofrer sempre que isso acontecer, quer nos contem na hora quer nos contem depois. Eu iria preferir saber na hora. Não importa se eu poderia ou não fazer alguma coisa.

Deixar o sofrimento pra mais tarde não faz tão bem quanto algumas pessoas pensam.

eLi disse...

Bá, nessas horas não adianta postergar sofrimento, né?! Ele não doerá menos nem mais: será sofrimento do mesmo jeito.
Claro que, em determinadas situações, é preciso esperar, pelo menos algumas horas, né?! Lembro daquele carnaval de 2008 quando ficamos sabendo que a Sandra havia morrido, lembra? A Cris tomou a melhor decisão mesmo, em contar assim que chegamos, afinal, em pleno sambódromo não poderíamos ter feito nada...

Beijo, beijo!
:-]

Fernando Ramos disse...

Aí é de fugir pro mar novamente, não? Pontadas suaves ou a forte e única estocada?

Fernando Ramos disse...

Ah, depois de muitos problemas e um bom tempo voltei a escrever, meu querido! passe lá pela Coluna ou na Escrita Salaz, Eli!

Abraços!