segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Partidas*

Ela lutou a vida toda.
Casou-se, teve filho.
Perdeu o marido em desastre de carro.
Já não tinha trabalho.

Procurou, tentou ofícios.
Sem sucesso.
Quando a proposta salarial não era boa,
Era o modo de trabalho que não compensava.

Resolveu mudar!
Deixou o filho com os pais.
Embarcou na ideia de trabalhar em alto mar.
Viveria temporadas de nove meses em cruzeiros marítimos.

Juntou dinheiro nesse tempo de muito trabalho.
Deu mesmo a volta por cima.
Conquistou sua casa, carro, tranquilidade.
Ficava fora de casa por muito tempo,
Deixava saudade e a levava também.
Mas não podia negar que o sucesso havia conquistado.

Certa vez, em um fim de contrato,
Desembarcou em casa, de volta.
Seus pais, radiantes e ansiosos por demais.
Mal podiam esperar.

No porto, beijou mãe, filho.
Beijou o pai, que caiu de repente.
Morreu de infarto, ali mesmo.

Um abraço e um beijo,
Foi o máximo que ele conseguiu esperar.

*Republicando (de 22 de maio). Sem motivo certo, mas republicando.

8 comentários:

Cris Castro disse...

Oiee, estava vendo akele blog, vida de tripulante e reconheci o seu nos favoritos cliquei e cai no bell boy a bordo, ai vim prestigiar esse aqui tb, muito legal ficou o outro, amei!!! da uma passadinha no meu tb...vou comecar a acompanhar o seu!!! rsrsrs...adorei suas postagens...bjaoooo!

eLi disse...

Olá, Cris!
Que surpresa boa ver você por aqui (e o Douglas também!)
Com certeza vou adicionar você aos meus aqui também!
Pois é. Há tempos tenho esse espaço aqui e agora criei o bbb, para as aventuras no mar (estou só esperando o embarque).
E ae, como anda a vida desse lado!? Vão embarcar também?


Beijos e tudibaum a vocês, viu?!

Ives Nelson disse...

Vale à pena ver de novo um ótimo post como esse... Um abração Eli uma ótima semana pra vc...

eLi disse...

Obrigadão, Ives, mais uma vez (nesse texto inclusive), por sua sempre presença aqui!
Abração, cara!

Jairo Souza disse...

Mt lindo msm o texto Eli! Qual a esperança q nos mantém vivos?? Abçs!

eLi disse...

Esperança é a palavra, Jairo!
Acho que o que deve manternos vivo é a esperança e o(s) desejo(s). Quando não houver esses dois, para quê seguir adiante?
Vivemos procurando e esperando "O DIA", sem saber que cada minuto vivido, se bem observado, poderá ser, sim, único em seus detalhes (e pode ser o último também...)!

Abração, sempre, Jairo!

Fernando R. Silva disse...

CLAP! CLAP! CLAP! CLAP! CLAP!

BRAVO! BRAVÍSSIMO!

Eli, muito bom, muito bom mesmo. Drama de desfecho terrificante. Na boa, "Um abraço e um beijo. Foi o máximo que ele conseguiu esperar." foi de doer.

Abraços!

eLi disse...

Obrigado, obrigado, Fernando!
Na verdade o conto carregou o mesmo sentido/peso que eu senti, quando ouvi sobre esse ocorrido. Costumo dizer, que as histórias em si têm esse poder de comoção, cabendo a quem as conta/escreve tentar amplificar/repassar/transmitir/reviver os fatos. Então, é quando fatos reais, uma vez em formato de contos, geram até descrença.

Abração e obrigado por suas sempre visitas, direto da Coluna Fantasma!