quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Vozes polêmicas


Vendo um especial sobre Maysa, conhecida por muitos como a cantora da fossa, lembrei-me de uma passagem de um livro de Zuza Homem de Mello (A Era dos Festivais), que fala sobre seu temperamento marcante.

Em meio aos bastidores e nos próprios palcos onde ocorriam os festivais de música popular brasileira, eram comuns serem vistas briguinhas, arranca-rabos e desentendimentos entre artistas. Com Maysa não foi diferente. Imagine então envolvendo Elis Regina, que também não tinha as tais papas na língua.

O fato ocorreu após a final nacional do I Festival Internacional da Canção (FIC/TV RIO), em outubro de 1966, tendo como vencedora “Saveiros”, de Dori Caymmi e Nelson Motta, cantado melancólica e belamente na voz de Nana Caymmi.

Enquanto os Caymmi comemoravam em casa, houve uma festa em um lugar chamado Boate 706. Lá estavam, entre compositores e artistas, Maysa (que teve a canção por ela interpretada, “Dia das rosas”, eleita em terceiro lugar, composta por Luís Bonfá e Maria Helena Toledo). Naquela noite, Maysa bebeu todas e começou a provocar Elis, que estava na mesma mesa:

-Sua gauchinha de merda, você não canta nada!

Elis, paciente, para não comprar briga, respondeu:

-Não me provoca não!

Maysa não parou: pegou uma garrafa e arremessou-a contra Elis, quando Roberto Menescal conseguiu pegar a garrafa antes de chegar a Elis. Se acertasse, Maysa seria responsável por uma grande marca no rosto da pimentinha. A festa não parou por isso, muito menos a rixa das duas.

Antes, no festival, após proclamada campeã, Nana subiu ao palco para cantar novamente “Saveiros”, e foi muito vaiada encobrindo inclusive a orquestra (fato comum nos festivais).

Maysa, que durante todos os ensaios hostilizara Nana, levantou-se em meio ao turbilhão e esqueceu a rivalidade com a cantora e soltou ao público “vaiante” um “Agora é hora de aplausos. Vamos!”. E depois lá estavam as duas, no pódio.

8 comentários:

Arnaldo disse...

Eli,

Tentamos, eu e a Clélia, assistir ao especial sobre Maysa que a Globo está passando. Não conseguimos passar da metade. Os atores são péssimos, as interpretações forçadas, a dublagem que ela faz da cantora é patética.

Tenho visto muita gente elogiar o programa, alegando que a atriz é muito parecida com maysa. É mesmo. E daí? O que isso tem de importante? Fico puto com essas coisas.

eLi disse...

Uma pena. Mesmo.
Na série, Maysa aparece mimada e em forma de rebelde sem causa.
As dublagens são péssimas (agravadas por gestos estranhos).
A atriz é linda mesmo e, dizem (eu não conheci Maysa), há grande semelhança com a cantora. E ela se esforça....
Mas, apesar de tudo, assisto. Até o fim. Acho muito bom uma série abordar a vida de um importante nome da música brasileira – infelizmente por linhas, atuações e adaptações por vezes decepcionantes.

Abração, Arnaldo

Nico Nicodemus disse...

Que patética a atitude da Maysa, não? Dizer justamente à Elis que ela não canta nada? Deveria estar muito bêbada, realmente...
Quanto ao "fenômeno Maysa", não pega televisão, no lugar onde moro, de modo que não posso assistir à programação difundida. Mas fico espantado como uma mini série tem o poder de fazer vir a tona essa cantora que faz muito tempo estava longe das discussões cotidianas: em todo lugar que eu vou, é inevitável, terá alguém falando de Maysa. Poderiam, quem sabe, fazer uma mini série sobre o Geraldo Vandré, ou melhor, tomara que não façam: sabe-se lá o que não fariam com o coitado...

eLi disse...

Concordo totalmente, em tudo, Nico!
Essas briguinhas de cantoras deviam render bons espetáculos à parte!
Essas séries, filmes e programas que "revivem" grandes e importantes nomes são válidos por isso: levam ao conhecimento de muitos e o fazem.
Pensei a mesma coisa sobre ter outros nomes interpretados na telinha (embora, como no caso de Maysa, o resultado seja um pouco aquém do real). Mas ainda assim, acho válido.
Valeu pela visita. Abraço.

Vanessa Dantas disse...

Olá Eli!

Retribuindo a visita, e falando sobre o mesmo tema... Concordo com o Arnaldo - as interpretações pareceram forçadas, e a dublagem patética. Também não sei se gostei da forma como os 'disparates' da Maysa foram tratados. Na maior parte da vezes, me pareceu um tanto forçado.

Não assisti todos os capítulos, apenas por chocar com outros compromissos. Mas estava bastante curiosa pela minissérie principalmmente pelo fato de uma colega (um ano antes) ter me contado um pouco sobre a Maysa, por estar desenvolvendo uma tese de doutorado e um livro sobre a referida cantora.

É isso! Voltarei por aqui...

Beijo.

eLi disse...

Vanessa!
Obrigado pela visita!
Concordo sim com vocês,mas em parte.
Acredito que a série realmente tratou de Maysa como rebelde sem causa e artista mimada - uma pena!
Mas ainda defendo a bandeira de que o fato de estar se falando dela, pelo menos estimula a pesquisa, entre os mais curiosos, por mais coisas sobre sua vida!

Beijo e volte sempre que quiser!

Blog da Dinha . disse...

Sou fã da Maysa , inclusive fiz um fotolog em homenagem a essa maravilhosa diva que infelizmente foi para o andar de cima .

Passa lá depois .

http://www.foytolog.net/maysa_monjardim .

Beijossssss!

eLi disse...

Valeu pela a dica!
Isso mostra que um talento pode ser sim apreciado por outras gerações, mesmo após a morte da artista.

Beijo!