sexta-feira, 6 de maio de 2011

Mãe

Tornou-se uma pessoa frágil.
Mas uma pessoa que amou em sua juventude,
E, depois, em seu desamor,
Perdeu até o amor próprio.

Casou-se, sem saber ao certo o motivo.
Descasou-se de mesma maneira,
Quando tudo já estava fora do controle,
Perdendo tudo, inclusive a paz de espírito.

Entre as perdas, os filhos.
Aos quais nunca pode dedicar-se totalmente:
Apenas em raras fases de tranquilidade,
Quando a cabeça não estava perturbada,
Quando o espírito não estava por demais inquieto.

No ápice de atitude de um mundo esquizofrênico,
Até abandonava seus pequenos em lugar qualquer,
Tendo-os de volta, quando um conhecido os encontrava
Chorando, em algum lugar da Cidade.

Crises seguidas.
Foi perdendo controle de tudo,
Brigava com aquele que jurara amor até a morte,
Esteve a ponto de traumatizar os filhos,
Mas foi detida antes disso.
Ou talvez nem o faria, talvez.

Sem opções, se viu obrigada a ir sozinha
Para a terra onde nasceu,
De volta à casa dos pais,
Velhos, logo a deixariam solitária, novamente.

E solitária viveu eu sua inquietude,
Sempre consigo mesma, até a hora da partida,
Quando não havia mala, nem saúde,
Sequer haviam seus filhos ao redor,
Somente ela mesma
E sua mente, seu mundo a parte,
Sua loucura.

4 comentários:

Simone disse...

Ai tadinha... Fiquei com pena dessa mãe... Hehehe.

Beijos.

eLi disse...

Pois é, menina!
Nem todas as mães conseguem colocar para fora os espinhos os quais removem das rosas que oferecem a seus filhos.

Obrigadão pela visita!
:-]

Marcelle Campregher disse...

Oieee!
Texto seuu? q intenso =)


Saudades d vc..vamos sair qlq dia praconvensar? vc esta morando em sampa...esta descendo?

bjobjo

eLi disse...

Oi Marcelle!!!!
Sim o texto é meu. Todos com tags "Pois é", pois é, são meus! Este é intenso...e tenso!

Sim, estou trabalhando no Ipiranga, onde a Carla estava. Ela saiu, eu cheguei. Desço às sextas e retorno às segundas-feiras. Quero te ver também e saber das suas!

Beijo! Valeu pela visitinha!