segunda-feira, 6 de julho de 2009

Foi tudo culpa do amor?

Eles dois sempre viveram bem.
Relação estável, discreta, sabida entre amigos.

Mas em um dia desconhecido,
Durante exames de rotina,
Um deles descobre ser soropositivo.

O outro resolveu submeter-se ao teste,
Para comprovar o que já tinha certeza.
Também estava infectado.

De nada adiantaram os questionamentos,
Nem desconfianças puderam haver.
Não que eles, como casal, viviam uma relação aberta.
Mas antes, solteiros, não costumavam contar com quantos saíam.
Muito menos fazer acompanhamento periódico da saúde.

No começo, a coisa foi fácil de levar.
Depois, o relacionamento foi firmado
Na base de brigas e desentendimentos.
Cobranças demais.
Admissão de responsabilidades de menos.

Então, o mais afetado deles
Se aproveita da macarronada de domingo,
E, enquanto a água da massa fervia no fogão,
Pegou nas alças da panela,
E arremessou a água fervente no seu amado.
Sem apagar o fogo. Foi a gota.

Apesar da cena, das queimaduras e marcas,
O relacionamento foi o único a ter fim naquele dia,
Com aquele gesto.
Que resultou na saída do agressor fracassado da casa.

Mas nem a culpa,
Nem o ódio (sobreposto ao amor),
Muito menos o HIV,
Nem o arrependimento.
Nenhum desses foi embora.

12 comentários:

Ausência Instável disse...

Engraçado, até aonde a vida te faz provar que vc é capaz de qualquer coisa, mas nada há de partir, quando é para ser, não basta apenas ver, Sentir é a questão. Faça dos seus atos, sua consciência antes.

Mais um grande blog encontrei, com crtza virei mais vezes aqui, só tenho que dizer, que Esta de parabéns, é pessoas como vc e muitas outras que encontramos aos poucos, se fazem importante por aqui que é, e monstra que precisa sim, pensar mais na propria vida que se tem.

Foi o que percebi.
Abraços

eLi disse...

Obrigado pelas palavras, novo visitante Louis.
A vida é mesmo isso: encontramos as coisas aos poucos. Espero que essa sua nova descoberta aqui seja, de fato, boa para você!

Abração, bem vindo sempre!

Ives Nelson disse...

Eli, rapaz...
Que isso? Fiquei me sentido mal! Que angustiante o inesperado desfecho, alias desfecho NÃO, porque esse tipo de coisa é daquelas que nunca se esquece; pelo menos se fosse comigo, ficaria eternamente a me seguir...

Abração Eli...

eLi disse...

Com certeza, Ives!
E nesse caso há diversas cicatrizes a doerem a longo prazo, não é?
Tratam-se das escolhas que se faz e das consequências que ficam.

Abração!

Ausência Instável disse...

Obrigado Eli, fico feliz em saber que estou bem vindo ao pequeno mundo GRANDE, certo? rs

É tudo culpa por amor viu, rsrs...
HAuhAUhAua ...

Abração;)

Ives Nelson disse...

Eli, quero te agradecer pelo "senhor das palavras" que deixastes no teu comentário lá no Louis. Saibas que quem merece aquelas palavras és tu. E nem precisa tanto esforço pra perceber isso, basta ler um único post aqui do teu blog, que logo tem-se a constatação. Escrever bem é uma dádiva, e a cada dia têm ficado mais difícil (agravado pelos diplomas que "andam" perdendo a obrigatoriedade). Entretanto no teu caso, o fazes com gosto. Já eu, porém um exímio leitor,
mas anêmico nas escritas, só posso te render louvor e honras que te são devidas.

Esse depoimento pode parecer até meio pernóstico ou meio "pagação", mas te garanto que estou sendo sincero.

Mais uma vez, valeu Eli...
Forte abraço...

Ives Nelson Oliveira

Arnaldo disse...

O que nebula o amor é a culpa. Sempre. Por qualquer coisa.

No verdadeiro amor não deve haver culpa pois não há pecado.

Fernando R. Silva disse...

Fala, Eli!

Bela ode ao questionamento: será que vale à pena tudo isso?

Abraços!

Jairo Souza disse...

Só restaram as mazelas, acontece com todo relacionamento desgastado, seja ele soropositivo ou não! Abçs!

eLi disse...

Louis...mundo grande?? Nem tanto (pode acreditar)! Mas está, sim, sempre bem vindo aqui, certo?!

Ives, mais uma vez e sempre, obrigado por suas palavras. Normalmente eu não costumo sentir essa dimensão que essas minhas palavras parecem exercer nas pessoas, naqueles quem leem. Isso porque as escritas são tão particulares, tão minhas, que chego a tratar esse espaço apenas como mero canto para registro de minhas palavras, sem grandes pretensões. Mas fico feliz mesmo em saber que elas acabam por ganhar sentido em outros que aqui chegam.

É, Arnaldo. Onde há culpa, há algum ato, no mínimo, ilegal que foi cometido no relacionamento, no amor. Aliado a isso, outro mal é o ciúme, que é encarado erroneamente por muitos como sinal (ou termômetro) de como anda o sentimento nutrido pelo outro. Talvez seja questão de maturidade, de tempo, de vivência.

Fernando: No final de tudo é possível saber se as posturas, as censuras e sobretudo as omissões valeram algo, contribuíram em algo. Talvez se houvesse amor de verdade essa história nem teria assim começado, muito menos acabado como tal. Para o amor, acredito que valha a pena muita coisa. Mas para outros sentimentos, é preciso cautela a respeito dos esforços!

Hey, Jairo, tudo bem por aí?! É vero...quando o principal ingrediente falta, em meio à panela quente, só restam culpas, culpados e mais falhas. Seja soropositivo ou não.

Abração a todos vocês!

Carol Binato disse...

Acho que nem preciso expressar neste espaço virtual as minhas palavras. Todos que passaram aqui já disseram tudo e mais um pouco...
Concordo plenamente com o Arnaldo: O que nebula o amor é a culpa.
Como sempre, Eli é sábio e sensato com as palavras e histórias.

Beijocas

eLi disse...

Carol, brigadão pela visita, viu?! É mesmo preciso não atropelar sentimentos com esse tal de amor!

Beijão!