sexta-feira, 3 de julho de 2009

Quando tem de ser ou não a hora

Ele andava tranquilo, na manhã de sexta-feira.
Precisava chegar ao trabalho,
Mas não estava necessariamente com pressa.

Ao atravessar uma passagem subterrânea para pedestres,
Ouviu um estrondo vindo de cima,
Da ponte, da Via Expressa.
Algo soou como descontrole e risco.

Um caminhão acabava de colidir na mureta,
Até beijar direto o chão, bloqueando a passagem subterrânea abaixo,
Que o rapaz acabara de cruzar.
Por pouco não foi ele o beijado pelo veículo.

Na verdade, um dos pneus explodiu,
E fez o gigante perder o controle.
Três ocupantes feridos, mas vivos.

E para os amigos que não acreditarem no caso,
Do pedestre que por pouco não foi alvo,
Uma câmera registrou tudo,
E apareceu até no jornal.



Minutos antes, ainda na Via Expressa,
Um outro caminhão trafegava,
Quando viu um homem a atravessar a pista.
Encontraram-se violentamente.

O choque foi fatal para o pedestre,
Que provavelmente estava apressado,
Pelo menos a ponto de não utilizar a passagem subterrânea,
Destinada somente a transeuntes.
Preferiu correr o risco de atravessar uma via perigosa.
Imprudência que para ele, que há minutos estava vivo,
Justificou a atitude de enfrentar os carros em velocidade.


Em um outro bairro, um pacato zelador
Varria a calçada,
Quando foi atingido por uma pedra no olho,
Jogada não sabe de onde.
Achou até que era bala perdida.
Muito sangue, ardência e mais sangue.

Teve sorte, o material atingiu apenas o osso que contorna o olho,
Imediatamente abaixo da sobrancelha.
Deixou um pequeno roxo e inchaço.
“Por pouco não atinge minha visão”,
Ele reflete.
Por pouco mesmo.
Fotos: Edmilson Lélo

6 comentários:

Ives Nelson disse...

Rapaz... muito bom!

Passou a mensagem, fez o link para a notícia e ainda conservou a "fantasia" do conto...

Se eu estivesse usando um chapéu, tiraria para você!!!

Abração, e boa semana!

eLi disse...

Obrigado! Você e sua sempre gentileza, Ives!

Pois é, são coisas que acontecem todos os dias e estão naturalmente linkadas, mas que o olhar rotineiro e cotidiano acaba por perder!
Destino, escolhas e consequências. Todas aí, diárias.

Abração e obrigado pelas palavras, mais uma vez.

Carol Binato disse...

Pois é Eli!!!
Qtos precisarão morrer para que estes fatos 'rotineiros' e fatais deixem de ser desapercebidos?

E, como sempre, texto direto, mágico e delicioso de se ler.

Parabéns!

eLi disse...

É, Carol.
Pelos menos os que ficam vivos, após um susto desses, passam a ser mais cautelosos!
São poucos os que têm esse cuidado, sem ter necessariamente passado por um acidente, desastre ou algo parecido.

Tudo bem que, quando tem de acontecer, nada parece poder impedir. Mas precaver não custa nada né?

Beijão e obrigado, mais uma vez, pela visita!

Jairo Souza disse...

Do quase pro incidente pra morte é um pulo hein?!

eLi disse...

Jairo, você disse tudo!
E eu sei que frases feitas, provérbios e etc soam como clichês, mas mas aqui vai uma: "Para morrer, basta estar vivo". Simples, não?
Abraço!