quinta-feira, 23 de abril de 2009

Brincadeira

Fim de semana, dia de cachoeira com amigos.
Pulos, acrobacias exibidamente apresentadas.
Um deles se diverte só, no rio.
Sua habilidade no lançamento de pedras na água,
Fazendo-a saltitar sem afundar, atraiu atenção de todos.

Em um dos lançamentos a pedra esbarra e não salta adiante.
Mais um lançamento e a pedra empaca de novo.
Mais uma, mais uma.
Até que na água algo se move,
E vão mais umas pedras.

De repente, surpresa.
O monte se vira.
Era um corpo humano em decomposição.
Choque.
Para mais espanto, o amigo continua com as pedras.
“Medo? Temos de temer os vivos!”

Ao redor aparecem nativos.
“Não faça isso, cara. Ele é nosso amigo e está desaparecido há dias.”
Há dias, mas não está mais.
Eles haviam acabado de encontrá-lo.
Vítima de algum acerto de contas, talvez.
Vítima.

6 comentários:

Kagê disse...

Tenho medo dessa couraça. Porque só com uma armadura muito fechada alguem pode atirar pedras num morto. Lembrei de algo que li hj em algum lugar, mais ou menos assim: "A gente se preocupa em deixar um planeta melhor pros nossos filhos...por que não nos preocupar em deixar filhos melhores para o nosso planeta?"

eLi disse...

A situação é medonha mesmo. Respeito é essencial e está ficando em falta. Sem o respeito primordial com o próximo (a primeira lei), ou o respeito consigo mesmo, como poderá manter uma vida saudável e durável em tempos de crise e escassez de tudo o que é natural e gratuito? Quase todos ainda têm como meta casar-se, viver em um lugar legal e ter filhos. Mas para quê? E como?

Beijo, Kátia, e obrigado pela visita!

carla yabico disse...

era vc que atirava pedras? e vc presenciou o corpo boiando?

eLi disse...

Não e não, Carla!
Assim como você, também fiquei impressionado, quando ouvi isso!
Beijo!

João disse...

Morreu... agora deixe a correnteza levar...
http://www.youtube.com/watch?v=ZJC21zzkwoE

eLi disse...

Prático, não João?

Ótima dica de vídeo.
Muito bonito!
Abraço!