quinta-feira, 18 de junho de 2009

De jornalista a contador de histórias

"Um excelente chefe de cozinha poderá ser formado numa faculdade de culinária, o que não legitima estarmos a exigir que toda e qualquer refeição seja feita por profissional registrado mediante diploma de curso superior nessa área."

Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal, para defender a aprovação da Lei de Imprensa (aprovada ontem 17/6), que determina que jornalistas não precisam mais de diploma para exercer a profissão.

11 comentários:

Ives Nelson disse...

Ótimo!!! Agora vamos torcer para a criação de uma lei semelhante para os médicos e engenheiros! Aí vai ficar tudo perfeito!

eLi disse...

E quero ver se esses ministros aceitarão ser entrevistados por qualquer pessoa, jornalista ou não. E quero ver reclamarem da forma de abordagem na matéria, feita por um "não-jornalista".

Abração, Ives.

Ives Nelson disse...

Esses "caras" parece que adoram um retrocesso...

eLi disse...

É verdade! Há quem defenda que exigir diploma do jornalista é voltar à ditadura, onde se cortavam os direitos à liberdade de expressão. Mas no caso do jornalismo, trata-se de uma profissão regulamentada.
Quem responderá por crimes cometidos na profissão, se o cara nem habilitado é? (em erros graves de textos publicados, matérias ofensivas, fatos não apurados, etc)

Abraço.

Ives Nelson disse...

Em relação aos erros de textos, matérias ofensivas, fatos apurados inadequadamente ,já vemos o bastante na impressa desse nosso Brasil. Eu tenho medo de pensar o quão ruim pode ficar isso! E francamente, do jeito que o mercado de trabalho exige cada vez mais um nível de excelência profissional(que queira ou não, as universidades o fornecem), não vejo outra, a não ser o surgimento de "jornalecos" parciais ou sensacionalismo de quinta categoria. É f***!!!

Abração Eli...

Andréa disse...

eli, os grandes joranlistas desse país são ou foram formados em jornalismo?
não sei, fico pensando...
é claro que não quero ver ninguém de história tirando emprego de filósofo e tal... mas nelson rodrigues era joranlista, por exemplo?
desculpa a ignorância, pensei nisso agora!
bj

eLi disse...

É, Ives. Mas a coisa já é vista por aí. Diversos programas, como os de fofocas, de passatempo e de humor utilizam sempre o termo matéria, para as gravações que fazem (que muitas vezes nem se aproximam de jornalismo). Concorrência é sempre bom, se é de qualidade - quem ganha é o receptor!

Andréa, bem citado!
Aprendemos isso ainda nas cadeiras da academia! Muitos dos grande nomes primórdios da profissão não tinham diploma e nem frequentaram universidades: melhoraram o talento que já tinha, e aprenderam com profissionais e na prática, sempre iniciando por baixo. Não sei dizer com exatidão, mas acho que Nelson não foi formado não! É questão de dom mesmo.
Essa questão de tirar a necessidade de diploma talvez venha também por conta de diversas ações contrárias movidas por entidades de classe (dos jornalistas), que queriam acabar a moda de aderir, por exemplo, a presença comentaristas de notícias que não eram jornalistas formados. A Folha de S.Paulo mesmo possui um time de historiadores, economistas, que não são diplomados como jornalistas: são bons nos seus temas e escrevem muito bem.
Acredito, Andréa, afinal, que a classe não deve se sentir pressionada ou ameaçada. Se o cara for bom, terá espaço. Sempre foi assim, até porque empresas não aceitarão em seu time, contratar qualquer um: a capacidade será o quesito fundamental (tenha ou não diploma). Mas acho que tirar o diploma é desvalorizar a profissão e os profissionais que se empenharam e conquistaram o certificado. Assim como o trabalhador precisa de registro e atribuições devidamente especificadas, para o jornalista seria importante sim ter reconhecimento de sua formação e habilitação, por meio do diploma.

Valeu por suas visitas e colaboração!

minicontosperversos disse...

Sabe o mais engraçado? Agora os caras do supremo vão ter que dar a mão à palmatória e decidis se os jornalistas que trabalham lá terão ou não diplomas exigidos.

Claro que eles vão preferir os "com diploma" e formação. Porque nessa profissão, como na medicina, engenharia etc., não dá pra errar.

Claro que com experiência tudo se aprende, mas leva anos, décadas.

É aí que está a diferença. Para os profissionais, de redação, de edição, de fotojornaliosmo, somos 100% a favor do talento e 100% a favor do diploma.

Abraço eLi!

eLi disse...

Legal, super Gustavo!
Na prática, a coisa é outra, e os supremos mesmo sentirão isso.

Para nós, da comunicação (você, redator, publicitário, sabe bem disso), a faculdade dá, sim, boa parte do que precisamos no dia a dia da profissão - logo, nem todos (qualquer um) pode ocupar o mesmo lugar. Não se poderia desprezar desse jeito a profissão. Tudo bem que em outros anos quase não se tinha jornalistas formados, mas os tempos são outros e, "tradicionalmente", apenas os donos de jornais e publicações (na maioria) é que não têm diploma.

Abração e mais sucesso ao MiniContos Perversos!

maria disse...

o gilmar é uma besta. dá esse tipo de explicação pro povão. mas os fundamentos desta decisão passam bem longe da "necessidade" de um diploma.

eLi disse...

Um joguinho de mandar e desmandar é o que eu penso, Maria!
Bem ao tipo "Ai se fosse o meu!"

Beijão!