sexta-feira, 15 de maio de 2009

Abuso sexual

Cinco anos de idade.
Foi quando teve seu primeiro abuso sexual.
Não tinha qualquer noção do que se tratava,
Apenas fazia o que o cara mandava.
Este, devia ter 17, no máximo 18 anos de idade.

Para quem é pequeno, qualquer um é encarado como adulto.
E adultos normalmente têm toda a confiança das crianças.

O cara, também por conta disso, usou e abusou.
Uma, duas, muitas vezes.
Dias até. Muitos.
E até hoje está dentro de si,
Em forma de trauma, mesmo 20 anos mais tarde.

Esse crime, cometido por esse monstro,
Não parecia tão mau ao garoto abusado.
Não chegava a doer.
Estranhava, mas não matava.
Era diferente das brincadeiras às quais estava habituado.
Era algo que ele não conseguia entender.

Quem era esse pedófilo?
Sabia que era conhecido da família,
À qual não tem coragem de relatar.
Será que esses abusos sofridos são responsáveis por sua homossexualidade?
Se caso não tivesse tido esse contato precoce com um homem,
O garoto cresceria gostando de mulheres?

Isso ele não sabe.
Tudo o que ele fazia era seguir comandos,
Pensava que era algo normal,

Mas as brincadeiras que ele fazia consigo,
Toda vez que desviava o caminho rumo ao parque,
Para ir direto àquele matagal,
De brincadeiras nada tinham.
E ainda hoje falam alto em seu interior adulto,
Que antes era aquele menininho de lisos cabelos loiros.
E apenas cinco anos de idade.


Produção: Eli Carlos Vieira

2 comentários:

Ives Nelson disse...

Esse então... forte demais! E me traz algumas recordações não tão agradáveis, mas que já não me machucam mais.

eLi disse...

É, Ives. Trata-se mesmo de outro tipo de machucado, ou corte, ou ferida. Não dói, necessariamente, mas marca, a longo prazo.
É quando alguém é capaz de modificar a vida de outro alguém, desde épocas mais inocentes.

Abração, cara!