sexta-feira, 22 de maio de 2009

Partidas

Ela lutou a vida toda.
Casou-se, teve filho.
Perdeu o marido em desastre de carro.
Já não tinha trabalho.

Procurou, tentou ofícios.
Sem sucesso.
Quando a proposta salarial não era boa,
Era o modo de trabalho que não compensava.

Resolveu mudar!
Deixou o filho com os pais.
Embarcou na ideia de trabalhar em alto mar.
Viveria temporadas de nove meses em cruzeiros marítimos.

Juntou dinheiro nesse tempo de muito trabalho.
Deu mesmo a volta por cima.
Conquistou sua casa, carro, tranquilidade.
Ficava fora de casa por muito tempo,
Deixava saudade e a levava também.
Mas não podia negar que o sucesso havia conquistado.

Certa vez, em um fim de contrato,
Desembarcou em casa, de volta.
Seus pais, radiantes e ansiosos por demais.
Mal podiam esperar.

No porto, beijou mãe, filho.
Beijou o pai, que caiu de repente.
Morreu de infarto, ali mesmo.

Um abraço e um beijo,
Foi o máximo que ele conseguiu esperar.

2 comentários:

Ives Nelson disse...

Que bacana Eli, um post passado, com o mesmo nome do filme que resenhastes...

Engraçado, como guarda algumas semelhança ao filme (que agora eu já vi), foi coincidência ou influência?

De qualquer forma, ficou muito bom este conto aqui, bem surpreendende, típico teu! Parece-me que gostas de fazer supresas. Isso é bem legal, pois que eu adoro supresas...

Valeu Eli... abração!!!

eLi disse...

Ives! Por incrível que pareça, não, não me inspirei no filme! Mas somente agora, surpreso, me pego a reparar a real semelhança entre ambas situações.
A diferença é que essa em questão foi real. Me contaram em um curso para tripulantes de navio que fiz em fevereiro/março deste ano.
Curiso é você também ter chegado à postagem e notado isso, mesmo se tratando de uma postagem antiga!

A recíproca é totalmente verdadeira, caro amigo. Podes crer, deveras! Afinal, é para poucos notar sutilezas e detalhes como você faz. Isso é para poucos!
Desde o primeiro contato que tive na Postagem Periódica percebi isso!

O obrigado por mais essa!
Abração, sempre!